domingo, 12 de julho de 2015

Papa Francisco: ‘’Precisamos de Uma Mudança: a Economia a Serviço dos Povos’’

“Nos diversos encontros, nas diversas viagens, comprovei que existe uma espera, uma forte busca, um anseio de mudança em todos os povos do mundo (…) O tempo, irmãos e irmãs, o tempo parece estar se esgotando.” O discurso que o Papa Francisco escreveu de próprio punho para o Encontro Mundial dos Movimentos Populares é dirigido “a toda a humanidade”. Uma intervenção que fala de “economia comunitária, eu diria, de inspiração cristã” e está destinado a marcar a história do seu pontificado: “Digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança redentora. Esse sistema já não se sustenta mais”.

As propostas do Papa Francisco para mudanças no modelo econômico do capitalismo foram o ponto central da viagem à América do Sul, encerrada neste fim de semana no Paraguai. O papa também esteve no Equador e Bolívia. Na quinta-feira (09) à tarde, Bergoglio está sentado ao lado do presidente Evo Morales, que lhe diz: “Bem-vindo, irmão Francisco”. Dali a pouco minutos, o Papa farira o discurso mais esperado  na viagem. 

As propostas do Papa Francisco para mudanças no modelo econômico do capitalismo foram o ponto central da viagem à América do SulAs propostas do Papa Francisco para mudanças no modelo econômico do capitalismo foram o ponto central da viagem à América do Sul

As coisas não estão indo bem no planeta, e é preciso reconhecer isso: “Agricultores sem terra, famílias sem casa, trabalhadores sem direitos, pessoas feridas na sua dignidade”, e ainda “guerras insensatas, violência fratricida” e “o solo, a água, o ar e todos os seres da criação sob constante ameaça”. Todas “realidades destrutivas” que “respondem a um sistema que se tornou global”, um sistema que “impôs a lógica do lucro a todo o custo”, disse o papa.

Assim, Francisco se faz voz dos pobres e dos povos do mundo, “que o grito dos excluídos se escute na América Latina e em toda a Terra”, como uma antecipação da reflexão que será desenvolvida na Assembleia das Nações Unidas de Nova Iorque, no dia 25 de setembro. “Está se castigando a terra, os povos e as pessoas de um modo quase selvagem. E, por trás de tanta dor, tanta morte e destruição, sente-se o fedor daquilo que Basílio de Cesareia chamava de ‘o esterco do diabo’”.

Contra a austeridade

Este é o ponto: “A ambição desenfreada de dinheiro que governa. O serviço para o bem comum fica relegado”. Um sistema que “continua negando a bilhões de irmãos os mais elementares direitos econômicos, sociais e culturais, que atenta contra o projeto de Jesus”. É hora de “uma alternativa humana” para a “globalização da exclusão e da indiferença”, de uma mudança radical “que nasce dos povos e cresce entre os pobres”, de uma “resistência ativa” ao “sistema idolátrico que exclui, degrada e mata” as pessoas e está produzindo “danos talvez irreversíveis ao ecossistema”.

Um discurso muito amplo, que propomos e merece ser lido por inteiro, com uma passagem sobre o neocolonialismo das finanças e dos poderosos que parece evocar também a crise grega: “O novo colonialismo adota diversas fachadas. Às vezes, é o poder anônimo do ídolo dinheiro: corporações, financiadores, alguns tratados denominados ‘de livre comércio’ e a imposição de medidas de ‘austeridade’ que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres”.

Conversão

Por isso, é preciso mudar. O papa se dirige aos movimentos. Em Santa Cruz, também está o presidente boliviano, Evo Morales. Já não é mais o tempo de “pessimismo charlatão”. Também não basta uma mudança estrutural, adverte Francisco: “Dolorosamente, sabemos que uma mudança de estruturas que não é acompanhada por uma sincera conversão das atitudes e do coração termina, em longo ou curto prazo, por se burocratizar, corromper e sucumbir. É preciso mudar o coração. Por isso, eu gosto tanto da imagem do processo, em que a paixão por semear, por regar serenamente o que outros irão florescer, substitui a ansiedade por ocupar todos os espaços de poder disponíveis e ver resultados imediatos”.

Não se trata de ideologia, tudo nasce de olhar na realidade o rosto concreto das mulheres e dos homens: “Não se ama nem os conceitos nem as ideias: amam-se as pessoas”.

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