segunda-feira, 16 de novembro de 2015

ENTREVISTA: Governador Interino do RN, Ezequiel Ferreira



Presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, ocupa o comando do Governo do Estado de maneira interinaPresidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, ocupa o comando do Governo do Estado de maneira interina

O deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza assumiu a interinidade do Executivo por nove dias, um tempo curto, mas de intensa agenda e com uma pauta de preocupação para a problemática da seca. O governador em exercício Ezequiel Ferreira destaca a dramática situação dos reservatórios e, logo no seu primeiro dia de gestão, já se reuniu com auxiliares de primeiro escalão que atuam com a questão hídrica.

“O Governo Federal, além de ter um olhar dirigido para o abastecimento de água do Nordeste, precisará ter um olhar especial para o endividamento do produtor rural do Nordeste brasileiro, que necessita, sim, ter um perdão dessa dívida ou, no mínimo, um ano a mais de prorrogamento dessa dívida para cada ano de seca”, ressaltou o governador em exercício.

Quando questionado sobre o pleito 2016, Ezequiel Ferreira disse que atuará diretamente nos municípios, retribuindo o apoio recebido no pleito de 2014. Já sobre o assunto mudança partidária, o governador em exercício afirma que o momento é de priorizar a gestão no Executivo e, após a interinidade, a continuidade do trabalho na Assembleia Legislativa, que preside e que tem como interino o deputado Gustavo Carvalho, a quem Ezequiel Ferreira faz elogios pelo trabalho desempenhado na atividade parlamentar. Confira a entrevista concedida pelo governador em exercício a TN:

O senhor assumiu o Executivo para uma interinidade de nove dias. Qual sua principal preocupação?
Acima de tudo dar continuidade ao trabalho que o governador vem desempenhando à frente do Executivo. Dar celeridade nas ações de saúde, no combate aos efeitos da grande seca que assola o Rio Grande do Norte, com as questões emergenciais como as perfurações de poços, como agilização da conclusão das obras das adutoras. Temos a adutora de Carnaúba dos Dantas, adutora do Oeste. Tive uma reunião que dela fez parte o diretor geral do Dnocs. E, nesse encontro, ele garantiu que há quatro obras para as quais estão assegurados recursos, já que o órgão só tem essas obras cujos recursos estão garantidos e nisso estão a Barragem de Oiticica e a Adutora de Currais Novos. Tivemos essa reunião muito boa. E também já recebemos demanda do município de Currais Novos, estive com o prefeito Vilton Cunha, com o ex-prefeito Zé Lins, com lideranças daquele município, falando sobre o problema da água. E esteve nessa reunião o secretário de Recursos Hídricos (Mairton França).

Há uma ação imediata para Currais Novos?
Sim. Nós vamos começar a perfurar poços na zona urbana do município para aumentar a demanda de água. Hoje, com o abastecimento dos treminhões de pipa, que são caminhões grandes que comportam 50 metros cúbicos de água, está se conseguindo abastecer em torno de 35% a 40% da população. A nossa expectativa é, sendo consertada uma perfuratriz que estamos consertando essa semana, até sexta-feira chegaremos a Currais Novos com uma perfuratriz para começar as perfurações na zona urbana. Na Zona Rural recentemente o Dnocs fez instalação em oito comunidades de um sistema de abastecimento de água. Perfurou poço, instalou a caixa d' água e fez a rede de distribuição nas casas na zona rural. Precisamos, acima de tudo, priorizar, em Currais Novos, a Zona Urbana.

E quais serão as outras prioridades nesta gestão como interino?
As metas são dar celeridade ao abastecimento dos hospitais, que tem sido reclamação constante. Hoje (sexta-feira) já estive com o secretário de Saúde (Ricardo Lagreca) e ele me disse que vai começar o trabalho de reabastecimento dos hospitais. Vamos focar, principalmente, nas ações emergenciais nas áreas de saúde e da crise hídrica. E sobre a crise hídrica esse é o maior problema que assola o Rio Grande do Norte. Temos problemas sérios de abastecimento. 

A Barragem Armando Ribeiro Gonçalvez (Assu) tem apenas 23% da sua capacidade, estamos em colapso iminente em Caicó, já que o açude Itans só tem 1,8% da sua capacidade. Participei de uma reunião, na semana passada, ao lado do governador (Robinson Faria) com o presidente da Cosern, com o superintendente da Petrobras para o Ceará e Rio Grande do Norte, com o Exército brasileiro, com secretário de Recursos Hídricos, com diretor presidente da Caern e com outras diretorias, para tratarmos do desassoreamento da parte da Paraíba do rio que abastece o município de Caicó. Foi feito trabalho pelo Governo do Estado de 10 quilômetros da parte do Rio Grande do Norte e desassoreamento e agora é necessário que seja feito na parte da Paraíba, que é uma extensão de 100 quilômetros. Vamos precisar da parceria do Exército brasileiro, solicitamos de todos o engajamento, da Cosern, da Petrobras. Por exemplo, a Petrobras fornecendo material para perfuração de poços. Esse para mim é o maior desafio que o Rio Grande do Norte vai enfrentar e acredito que o Estado só será ouvido se unir as vozes do Nordeste.
Alex RégisEzequiel diz que Governo Federal precisa olhar para o produtorEzequiel diz que Governo Federal precisa olhar para o produtor


O senhor tem encabeçado um movimento para buscar a união dos Estados e apresentar pleitos de combate aos efeitos da seca ao Governo Federal. Como está esse movimento?
Nesta Segunda-feira a Assembleia Legislativa irá enviar representantes para Pernambuco com a presença de várias Assembleias do Nordeste para discutir esse tema. O engajamento de todos que fazem a Câmara dos Deputados, o Senado da República, as Assembleias Legislativas e os governadores é fundamental para o Nordeste neste no momento de dificuldade. O lençol fica curto, com o corte no orçamento. O Nordeste precisa ser prioridade para o Governo Federal. São necessárias ações emergenciais. Estamos com uma seca de quatro anos, se entrarmos no quinto ano, as perspectivas, se isso vier a ocorrer, serão muito ruins. 

Temos problema hoje já na região Central, com a adutora Central, que pode levar, em poucos dias, já à falência do abastecimento de oito município e de várias comunidades rurais. O governador Robinson, antes de viajar, já determinou que fossem perfurados poços que, pelos estudos realizados, poderão ter uma excelente vazão e esses poços abastecerão essa adutora. Isso começaria em Riachuelo, essa falência, e iria bater em Angicos. A região Central ficaria desabastecida. O problema de água é crônico, nossos reservatórios estão secando. No caso específico de Caicó, precisamos desassorear o rio Curemas Mãe D'Água. Temos a região do Seridó e Alto Oeste como as maiores dificuldades para o abastecimento d'água. Vamos ter agora a região Central que também terá esse problema. Mas há outras dificuldades causadas pela seca. Eu tenho dito que quem primeiro sente a seca é o produtor. O cidadão sente a seca quando abre a torneira e falta água. Mas esse produtor vem sendo castigado com quatro anos de seca. O nosso setor rural foi se endividando com quatro anos de seca. 

Temos aí produtores que tomaram empréstimo nos bancos oficiais, em 2012, e já estão sendo cobrados para pagar essa dívida agora. É inadmissível isso, já que o produtor rural só tem como pagar o empréstimo se tiver o ativo produtivo e o ativo é, exatamente, o gado, para quem trabalha na pecuária, e a colheita, no caso de quem planta. É com o que produz que ele (o produtor) pode pagar o empréstimo que tomou. O nosso rebanho está sendo dizimado com o custo operacional que ficaram bastante elevados e o Governo Federal, além de ter um olhar dirigido para o abastecimento de água do Nordeste, precisará ter para o endividamento do produtor, que necessita, sim, ter um perdão dessa dívida ou, no mínimo, um ano a mais de prorrogamento dessa dívida para cada ano de seca.

Nesse cenário que o senhor traça e observando a crise econômica, a missão se torna mais árdua?
Sou consciente da interinidade de nove dias. Traz a oportunidade e o orgulho de poder assumir o comando do Rio Grande do Norte. E há uma particularidade comigo. Exatamente há 40 anos eu assisti essa cena quando meu pai, o ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Ezequiel José Ferreira de Souza assumiu o governo do então governador Cortez Pereira, em outubro de 1975. E eu ali, com sete anos, assistia a ele assinando o termo de posse. Quarenta anos depois eu vi essa cena agora acontecendo comigo. Deus me deu a alegria de poder ter meu pai, com quase 80 anos, vivo, presente, lúcido, assistindo a esse dia que, para mim, é tão especial. Tive a presença do meu filho (João Ezequiel) que, por coincidência, também tem os sete anos que eu tinha naquela época. Ao lado também da minha esposa (Ingrid), da minha mãe (Letícia), da minha família e também das famílias de todos os cantos e recantos do Rio Grande do Norte que vieram nos prestigiar. Sem dúvida, sei que a interinidade tem que ser encarada com a responsabilidade que é peculiar para quem assume esse cargo, mas sabendo que a gente tem que ser mais um tocador do que está se fazendo do que um inovador. É isso que vamos fazer. Receber as lideranças, as demandas que vem e conversando com os secretários, tentar achar soluções possíveis sobre o que se fazer diante de uma crise tão grande.

Governador, como o senhor tem analisado esse momento de frustrações de receitas?
Foram cortes jamais vistos, como o que assistimos no Governo Federal, acima de R$ 70 bilhões. Em um Estado como o nosso, que vem ao longo dos anos acumulando dívida, sempre aumentando despesa, evidente que o governador, ao assumir a gestão, já encontrou um Estado que vinha com dificuldades financeiras. Tanto é verdade, que a Assembleia autorizou, ainda no governo passado, usar os recursos do fundo previdenciário. Depois disso, o governo do Estado, diante da crise econômica nacional, tem suas receitas reduzidas. Os royalties hoje estão em queda. Pela recessão do país, as pessoas compram menos, a arrecadação de imposto é menor e isso incide sobre o Fundo de Participação dos Estados, como incide também no Fundo de Participação dos Municípios. 

Isso tudo agrava a situação. E, ao mesmo tempo, as despesas do Estado são crescentes. Vivemos hoje um dilema: é a vontade de fazer, mas a realidade do Estado impossibilita de fazer o muito do que desejamos realizar. Acredito que o governador, dentro do quadro de dificuldades, vem com seu otimismo, sua determinação, sua vocação pública, sua crença e sua fé conseguindo fazer do Rio Grande do Norte um estado melhor.

Como será a sua agenda nessa interinidade do Executivo?
Será de uma agenda intensa, inclusive no final de semana. Um trabalho que começa cedo e com audiências até oito horas da noite, como foi o caso desse primeiro dia de trabalho na interinidade. Vamos fazer agenda no sábado, no domingo, reuniões com secretários. Na segunda-feira farei agenda também com visitas aos Poderes. Sairei com o presidente da Assembleia em exercício, deputado Gustavo Carvalho, para visita ao Tribunal de Justiça, ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado.

Governador, o senhor é um líder político e 2016 se aproxima. Como o senhor está articulando suas bases com vistas às eleições?
Sou deputado de quarto mandato, sempre com votações crescentes. E uma das coisas que mais zelo é a lealdade com aquelas pessoas que me ajudaram. É você ser grato, retribuir. Estou pronto para participar das campanhas municipais a partir do próximo ano, retribuindo os gestos que as pessoas tiveram comigo em cada município.

Muito se fala sobre a possibilidade do senhor mudar de partido, o PMDB. O que há de concreto?
O meu foco nesses nove dias é o Executivo. Depois desses nove dias, vamos trabalhar no encerramento do ano legislativo, o primeiro da 61ª Legislatura, mantendo o foco da nova Assembleia. Uma Assembleia mais ágil, que abriu a Casa Legislativa para o povo, discutindo, cada vez mais, os temas que afligem a população. A Assembleia é a caixa de ressonância da sociedade. Discutimos lá o problema do aeroporto, o assunto da seca é debatido exaustivamente na Assembleia. E agora vamos ter, dia 27 de novembro, uma audiência pública que está sendo trazida pelo senador Garibaldi Filho para debater esse tema (da seca) com a presença de quatro governadores de Estado, dos deputados estaduais, da bancada federal, tudo isso dentro do conceito de que é preciso unir o Nordeste para que se faça ouvir em Brasília, pelo Governo Federal. 

Portanto, o foco agora é encerrar o ano Legislativo batendo os recordes já alcançados no primeiro semestre. A Assembleia Legislativa que apresentou o maior número de proposições, de projetos de lei, de requerimentos, de audiência pública, uma Assembleia Legislativa mais aberta, mais clara, mais transparente, é isso que nós queremos. E para esses grandes índices há um trabalho intenso de todos os meus colegas deputados estaduais, que desempenham um grande trabalho.




#Fonte: Tribuna do Norte

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