segunda-feira, 23 de novembro de 2015

No Interior do RN, Água Virou Poeira


Em Jardim de Piranhas, o rio está reduzido a poças esparsasEm Jardim de Piranhas, o rio está reduzido a poças esparsas

A seca que castiga o Rio Grande do Norte há quatro anos dizimou as reservas do estado potiguar. Atualmente, o estado detém apenas 21% da capacidade hídrica. Entre as regiões mais castigadas estão o Seridó e o Alto Oeste, onde a seca esvaziou os maiores reservatórios: Marechal Dutra (o Gargalheiras) e Pau dos Ferros. Até agora, 13 municípios do estado estão em colapso no abastecimento, e outros 73 enfrentam algum tipo de racionamento de água.

Em todo o Seridó, 265.579 pessoas estão com dificuldades no acesso à água. Destas, 81.290 já não têm acesso à água encanada, uma vez que os sistemas de abastecimento das cidades de Acari, Currais Novos, Carnaúba dos Dantas, Jardim de Piranhas e Timbaúba dos Batistas colapsaram. A situação se agravou ainda mais com a suspensão da captação de água pela adutora Manoel Torres, em Jardim de Piranhas, pois o leito do rio secou. Com a diminuição do nível do sistema Curemas-Mãe D’água, na Paraíba, a perenização do rio foi afetada; além disso, o assoreamento da calha e a captação irregular impossibilitam a entrada do rio no estado potiguar. 

Na última sexta-feira (20), o Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Piancó-Piranhas-Açu se reuniu extraordinariamente em Pombal, na Paraíba, para deliberar o manejo do sistema. Com apenas  13% da capacidade, o sistema Curemas-Mãe abastece mais de 20 cidades dos dois estados. A perspectiva inicial do comitê é tentar manter a reserva hídrica até março de 2017, uma vez que a possibilidade de recarga no inverno do próximo ano é baixa.

Nesta semana, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que os efeitos do El Niño – fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico – serão os mais intensos dos últimos 15 anos. O fenômeno impacta o período de chuvas no Nordeste do país. 
“Infelizmente a perspectiva para 2016 do ponto de vista das chuvas são poucas, passando a nossa situação de grave para muito grave. Estamos em um estado de guerra, o sacrifício tem que ser maior para que a gente abasteça o consumo humano e animal”, afirmou Paulo Varella Neto, diretor da Agência Nacional de Águas
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