Presidente do STF Defende; Aguentar Três Anos Sem Golpe Institucional

 Sessão plenária do STF. O ministro Ricardo Lewandowski preside a sessão. O STF retoma o julgamento sobre a incostitucionalidade de doação de empresas para campanhas políticas, que havia sido paralizado por um pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes e tem como relator o ministro Luiz Fux. 

Sem citar nominalmente a presidente Dilma Rousseff, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal ), Ricardo Lewandowski, disse que o país precisa ter "paciência" nos próximos três anos e não embarcar em um "golpe institucional" que, segundo ele, pode por em risco as instituições democráticas.


A fala do presidente do Supremo ocorreu em palestra em uma faculdade de São Paulo e foi a mais incisiva até agora de um chefe de Poder em defesa da preservação do mandato da petista, que vai até 2018.
Governante mais impopular nas últimas três décadas, Dilma é alvo de pedidos de impeachment já protocolados na Câmara dos Deputados.

"Com toda a franqueza, devemos esperar mais um ano para as eleições municipais. Ganhe quem ganhe as eleições de 2016, nós teremos uma nova distribuição de poder. Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional", afirmou o presidente do STF, em palestra na Fadisp, uma faculdade de direito na zona oeste de São Paulo.

"Estes três anos [após o 'golpe institucional'] poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros", afirmou.

No contexto em que mencionou "cortina de fumaça", Lewandowski se referia a uma crise que ele considera eivada de "artificialismo". Na visão de Lewandowski, a crise do país tem mais fundo político do que econômico.
"O STF não está se deixando envolver emocionalmente por estes percalços que estamos vivendo", disse.
Durante a mesma palestra, o presidente do Supremo afirmou que congressistas são 'amadores' para investigar, referindo-se às infrutíferas CPIs levadas a cabo pelo Legislativo.