segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

COLAPSO HÍDRICO NO RN


A mais longa e severa estiagem da história do Rio Grande do Norte está fazendo o maior reservatório do estado secar. Diversos municípios estão em situação de emergência e alguns já entraram em colapso, sem nenhuma água.

O G1 visitou sete cidades onde os canos estão secos ou há rodízio de água – em uma delas, até uma cidade submersa pela represa reapareceu. A seca afeta moradores, a produção agropecuária e até o PIB do estado.

SECA HISTÓRICA

A falta de chuva nos últimos anos fez a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, que abastece 34 cidades do Rio Grande do Norte, ficar com apenas 15% de sua capacidade. Se não chover logo, ela pode entrar no volume morto em 6 meses, e comprometer ainda mais a distribuição de água. O nível atual é o mais baixo desde que a barragem foi inaugurada, em 1983, segundo o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs). A última vez que a barragem sangrou – ou seja, teve mais água que sua capacidade máxima e houve escoamento – foi em 2011.

A barragem tem capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos de água, e abastece atualmente municípios das regiões Oeste, Central e Seridó do estado. Cinco entraram em colapso recentemente e três permanecem – ou seja, a empresa responsável interrompeu o fornecimento e suspendeu a cobrança da conta. Isso ainda acontece em Tenente Laurentino Cruz, Bodó e Lagoa Nova. Outras 28 cidades estão no regime de rodízio de água.

Dos 167 municípios do estado, 153 estão em situação de emergência, e 20 estão com o abastecimento cortado. Em outras 73, foi preciso adotar sistemas de rodízio para que a oferta não fosse totalmente cancelada. Os cinco anos de chuvas abaixo da média desestruturaram as cadeias produtivas, afetando inclusive as exportações e a arrecadação de impostos.

O G1 visitou sete cidades onde ou os canos já estão vazios ou há rodízio. Nestes locais, conseguir água está cada vez mais caro.

“É uma situação preocupante, com certeza. Os anos de 2012 e 2015 foram muito ruins para a Armando Ribeiro. Praticamente não choveu nada. Este ano ainda caiu uma água. Agora estamos torcendo para que as previsões de boas chuvas se confirmem para o ano que vem. Caso contrário, em junho de 2017 a barragem chegará a menos de 10% de sua capacidade e fatalmente entrará no volume morto”, afirma José Eduardo Alves Wanderley, coordenador do Dnocs no RN.

NO VOLUME MORTO

O chamado volume morto é o resto. No caso da Armando Ribeiro, quando a barragem atinge menos de 10% de sua capacidade de armazenamento. “Nesta condição, a água se torna imprópria para o consumo humano em razão da mistura com a lama e demais dejetos que estão no fundo do leito”, explica José Eduardo.

Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do Rio Grande do Norte, tem nível de água crítico em razão da estiagem prolongada (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Tratar a água que sobra no fundo dos reservatórios exige grandes quantidades de produtos químicos, pois é no fundo do leito onde se encontram grandes quantidades de metais pesados e outros poluentes.

“Além do mais, essa reserva técnica precisa ser preservada por uma questão ambiental. Existe todo um ecossistema que vive no entorno dos reservatórios. Retirar essa água significa sacrificar esse ecossistema”, ressaltou Josildo Lourenço, gerente de Inovação Tecnológica e Controle de Perdas da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern).

Um novo plano de trabalho, que prevê repasse de R$ 98 milhões a mais de recursos federais, ainda não foi aprovado pelo Ministério da Integração Nacional.

O ministério disse ao G1 que mensalmente são repassados em média R$ 6 milhões por mês ao governo do estado para a construção da Barragem de Oiticica. “Com o empenho efetuado em dezembro, temos recursos garantidos para praticamente mais 10 meses de obras, dependendo obviamente do ritmo da mesma”, disse o ministério em nota, ressaltando que há tempo hábil para finalizar a análise do novo plano de trabalho sem impacto na execução da obra.

Segundo o secretário Mairton França, da Semarh, para manter o cronograma das obras de acordo com o novo orçamento o ideal seria que o governo federal repassasse ao estado R$ 15 milhões mensalmente.

#Fonte: G1

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