CNBB Repudia a Corrupção e o Trabalho Escravo

Agência Brasil | Divulgação  
Conselho da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil divulga três notas duríssimas em crítica aos retrocessos promovidos pelo governo Temer, que afeta "tanto a população quanto as instituições brasileiras", após conferência realizada entre 24 e 26 de outubro.
 
 "A barganha na liberação de emendas parlamentares é uma afronta aos brasileiros", atestam o cardeal Sergio da Rocha, Dom Murilo S. R. Krieger e Dom Leonardo Ulrich Steiner, presidente, vice-presidente e secretário-geral da CNBB, respectivamente; os líderes religiosos ressaltam ainda que "só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania, é capaz de purificar a política, banindo de seu meio aqueles que seguem o caminho da corrupção e do desprezo pelo bem comum".
 
Outras notas falam sobre "vencer a intolerância e o fundamentalismo" e condena a portaria de Temer sobre o trabalho escravo.
 
CNBB repudia e classifica de desumana portaria sobre trabalho escravo

Helena Martins - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) classificou nesta quinta-feira (26) de desumana e considerou um retrocesso a Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho, que alterou as regras para classificação e combate ao trabalho escravo.

"Tal iniciativa elimina proteções legais contra o trabalho escravo arduamente conquistadas, restringindo-o apenas ao trabalho forçado com o cerceamento da liberdade de ir e vir. Permite, além disso, a jornada exaustiva e condições degradantes, prejudicando assim a fiscalização, autuação, penalização e erradicação da escravidão por parte do Estado brasileiro", disse em nota a CNBB, que repudiou a portaria.
O secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, disse que a medida "diminui a força no combate ao trabalho escravo" por mudar a definição do que seja essa prática e os modos de averiguação e punição. Para o bispo, as pessoas não devem ser tratadas como objetos de ganância. "A pessoa humana tem a sua grandeza, tem a sua dignidade, e nós todos, eu creio, como sociedade brasileira, queremos cuidar dos nossos irmãos e irmãs que trabalham e trabalham em um trabalho pesado, que nós não desejamos que seja forçado."

A nota da CNBB reconhece a importância da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender a "portaria da escravidão", conforme intitula a confederação, e destaca que o país "tem o dever de repudiar qualquer retrocesso ou ameaça à dignidade e liberdade da pessoa humana".

Vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger alertou que essa defesa não deve ser feita apenas pelos bispos, mas assumida por todos os "que, conscientes de seus direitos, devem assumir o seu protagonismo perante as realidades do mundo". "Tudo aquilo que fizermos de forma pacífica e dentro do que o Estado de Direito permite é válido, e não podemos ficar só esperando soluções vindas do alto, no sentido de altas autoridades, mas temos que mostrar que, como cidadãos, temos o direito de nos manifestar."
Investigação
Apesar de suspensa pelo STF, a portaria que propôs mudanças nas regras de combate ao trabalho escravo continua provocando reações. Na quarta-feira (25), o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) decidiu instaurar comissão de apuração de condutas e situações contrárias aos direitos humanos para investigar o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.

Esta é a primeira vez que o colegiado abre um procedimento apuratório, recurso previsto na Lei 12.986/2014, regra que criou este órgão de Estado.

Segundo o CNDH, a abertura do procedimento decorre "das ações reiteradas adotadas pelo ministro, desde o início de sua gestão, que criam dificuldades ao processo de erradicação do trabalho escravo no país, como na ação voltada à não publicação da lista suja e, mais recentemente, com a publicação da Portaria MTB nº 1.129/2017". O ministro ainda não foi notificado.

Confira a íntegra dos documentos abaixo:
Nota da CNBB - Atual momento político
Nota CNBB - Trabalho escravo
Mensagem da CNBB - Vencer a intolerância e o fundamentalismo