ENRROLADA!! Globo diz que “não sabia de nada…”. Planilha cita pagamento de US$ 1 milhão



A tática da defesa do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, réu na Suprema Corte do Brooklyn no chamado Caso Fifa, de jogar a culpa dos casos de corrupção no atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, acabou complicando a vida do ex-executivo da TV Globo Marcelo Campos Pinto.

O advogado de Marin, James Mitchell, procurou fazer com que a testemunha José Eladio Rodríguez, responsável pela operação de depósito de propinas para cartolas sul-americanos após a assinatura de contratos da cessão de direitos de transmissão de televisão e broadcast para torneios como a Copa América, afirmasse que todas as planilhas referentes à movimentação bancária da empresa argentina Torneos y Competencias (TyC), onde trabalhava, identificavam os subornos apenas a um “brasileiro”, no singular, ou a “MP”, uma referência, segundo o próprio Eladio, a Marco Polo Del Nero, sem menção a Marin.

Mas uma outra referência, também presente na planlilha de Eladio apresentada pela Procuradoria, em 9 de dezembro de 2013, dá conta de um pagamento de US$ 1 milhão a “MCP”. Em um primeiro momento, Eladio confirmou se tratar de mais uma referência a Del Nero, mas depois de um pedido de retificação da própria Procuradoria, a testemunha afirmou que havia se confundido e que a abreviação MCP designava, na verdade, Marcelo Campos Pinto, ex-diretor da Rede Globo.

O único documento apresentado ao júri em que aparece referência explícita a Marin é o e-mail enviado por Eladio a ele mesmo, no dia 6 de junho de 2013. Nele o argentino escreveu “pagamento de US$ 3 milhões, referente à Copa America, para ser dividido entre MP e Marin”. Mitchell chamou a atenção, no entanto, para outro e-mail, do mesmo dia, escrito quatro minutos depois, em que o mesmo valor é conectado, por Eladio, apenas a Del Nero. Em outro documento da planilha que Eladio guardava como arquivo há uma anotação “ligar para MP (referência a Del Nero, de acordo com Eladio) por conta da Copa America de 2015”, sem referências a Marin. Eladio disse, no entanto, que, para ele, “Marin e Del Nero eram uma pessoa só, pois sempre andavam juntos”.

O argentino também lembrou que apenas fazia os depósitos, em contas indicadas pelo comando da Torneos, e que não pode provar se as propinas chegaram de fato às contas dos personagens que aparecem como beneficiários, ou se estes dividiram o montante. Perguntado por Mitchell, Eladio confirmou ter dito às autoridades americanas, quando formou um acordo de delação, este ano, que “Marin me parecia uma pessoa distante”. Ele também afirmou: “nunca interagi com ele”.